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Língua Portuguesa Pontuação (Ponto, Vírgula, Travessão, Aspas, Parênteses, etc) AOCP · IFF · 2022

TEXTO 1

Recortar uma língua e atribuir-lhe um nome não é tarefa fácil. Isso porque não há critérios exclusivamente linguísticos para tal recorte. Uma língua é, na verdade, uma construção imaginária em que se mesclam fatos linguísticos com fatores históricos, políticos, sociais e culturais. É esse complexo de elementos entrecruzados que leva os falantes a identificar suas variedades linguísticas como constitutivas de uma língua determinada. [...]

O contrário também ocorre, ou seja, variedades que, por critérios estritamente linguísticos, poderiam ser consideradas constitutivas de uma mesma língua, são assumidas por seus falantes como línguas diferentes por razões históricas, políticas e socioculturais. [...].

Uma língua é, então, um conjunto de variedades (e só assim pode ser definida) distribuídas no espaço geográfico e social e no eixo do tempo, conjunto que os falantes, por razões históricas, políticas e socioculturais, idealizam como uma realidade onde não há, efetivamente, unidade.

Muitas vezes, o imaginário social, para manter essa idealização em pé, confunde uma determinada variedade como língua. É a chamada “ideologia da norma-padrão”. Ao identificar a língua exclusivamente com as formas padronizadas, esse modelo ideológico tenta apagar ou desqualificar a heterogeneidade linguística e os processos de mudança.

A variação e a mudança, processos inerentes a qualquer realidade linguística, passam a ser consideradas como deterioração, corrupção, depreciação da “verdadeira” língua e, por isso, são alvos de rejeição, desprestígio ou estigma social.

Esse estigma pode emergir do quadro das próprias relações sociointeracionais, mas, no geral, encontram também reforço pela forma como as gramáticas normativas apresentam a língua (condenando, por exemplo, certas construções como “erro”) e como esse discurso se produz no sistema escolar e nos meios de comunicação. [...]

Adaptado de: FARACO, C. A. História do português. São Paulo: Parábola, 2019. p. 35.

Considere o trecho do Texto 1:

A variação e a mudança, processos inerentes a qualquer realidade linguística, passam a ser consideradas como deterioração, corrupção, depreciação da “verdadeira” língua e, por isso, são alvos de rejeição, desprestígio ou estigma social.

É correto afirmar que o valor semântico do emprego das aspas, nesse contexto, caracteriza

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